domingo, 14 de fevereiro de 2010

Vivaldi e a inveja no mundo das artes

Carlos Lúcio Gontijo


O compositor italiano de música clássica Antonio Lucio Vivaldi (1678/1741) é um dos grandes exemplos de como a inveja pode ser destrutiva no mundo das artes, onde muitos são os pincéis e poucos são os verdadeiros e bons manipuladores de cores, versos, fios e notas musicais. A vitoriosa trajetória artística de Vivaldi, hoje reconhecido como um dos maiores músicos de todos os tempos, após ter passado pela imposição de longo esquecimento, nos remete a uma frase do jornalista e fotógrafo Alexandre Vieira de Melo Matos, grafada em e-mail que nos enviou: “A humanidade é mesmo assim, descarta gênios e glorifica bufões”.
Vivaldi, aos 25 anos, aproveitou o esplêndido momento musical vivido em Veneza para realizar seus inovadores experimentos, que davam às suas composições uma luminosidade que ressoava de todos os instrumentos. Ou seja, Vivaldi não apoiava as suas criações musicais apenas nas vozes e assim trazia à luz a linguagem sinfônica, por intermédio de uma música instrumental completamente nova.
Sua fama se alastrou tanto na Itália antiga quanto em outros reinos da Europa. Contudo, intrigas e mal-entendidos eclodidos no ninho perverso da inveja impediram-no, certa feita, de realizar apresentações com o seu grupo de orquestra e cantores, fazendo-o sentir-se irremediavelmente ofendido. Então, aos 62 anos, resolveu abandonar Veneza, transferindo-se para Viena, onde um ano depois faleceu.
E foi tamanha a injustiça movida pelos que lhe tinham inveja que o grande compositor caiu no vazio de amplo esquecimento, não sendo seu nome e sua obra sequer citados ou registrados nos livros dedicados à música daquela época.
Lamentavelmente, fatos iguais ao ocorrido com Vivaldi são bastante comuns nas hostes da convivência artística, onde grupos – tomados pelo fogaréu da vaidade – cerceiam outros grupos, enquanto entre seus membros se nos apresenta como natural o tratamento privilegiado de uns em detrimento de outros componentes. Exemplo dessa funesta imagem em que a inveja dá as cartas e predomina podemos constatar em trecho de artigo escrito por Zinah Alexandrino, residente em Fortaleza (CE), com o qual tomamos a liberdade de fechar a nossa exposição.
“Escrever é uma arte, e nesta são muitos os que se aventuram pelo país afora, principalmente na terra de Alencar. E não é à toa que dispomos de tantas Academias neste celeiro de bons e maus ‘beletristas’. Fundar uma Academia é iniciativa banal por aqui. Basta alguns dos membros se desgostarem por algum motivo ou não estarem compondo a cabeça de chapa de uma nova diretoria, para que um desses membros funde uma outra (...). Nessa febre de se fazer escritor, há o joio e o trigo. Parece ser mister que se conviva com tanta ‘literatice’, sem falar nos literomaníacos que a cada dia vão surgindo nas Arcádias. É uma verdadeira agressão à nossa inteligência. Sabemos de pessoas que se cognominam escritor (a), quando nos são apresentadas e despejam na nossa cara um currículo quilométrico, desses de causar ‘inveja’ a qualquer pobre mortal: são sócios da Academia ‘tal’, fazem parte da Associação ‘tal’, ‘disso e daquilo’, têm cursos em diversas áreas... Muitos não arredam o pé de casa, a não ser para irem às Academias, e a cada participação em Antologias, os seus currículos vêm acrescidos, sem o menor pudor, de uma nova graduação.”
Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

QUEM SALVARÁ A DEMOCRACIA?

Quem salvará a democracia?

Carlos Lúcio Gontijo


Observamos com muita preocupação a dificuldade de acesso da população brasileira a uma saúde pública de qualidade. Nada mais aflitivo e deprimente para os cidadãos integrantes das camadas mais pobres que a não obtenção de atendimento médico na hora em que enfrentam problemas de saúde, pois é o vigor físico-orgânico a única coisa de que dispõem para enfrentar a luta pela vida. Afinal, os trabalhadores mal remunerados não ostentam poder aquisitivo para contratar seguridade alguma, a não ser os serviços públicos gratuitos que lhe são (ou deveriam ser) oferecidos pelo governo.
Indubitavelmente, não existe lição maior de desapreço pela vida do que a experiência de assistir a pai, mãe, filho ou amigo perder a vida por absoluta falta de atendimento médico. Há um vazio de sensibilidade cristã na gestão pública brasileira, onde o administrador legalmente constituído se recusa a exercer sua atividade com esmero, probidade e profundo sentimento coletivo.
Acreditávamos que o presidente Lula, originário das classes desprivilegiadas do estrato social e que passou pelo dissabor de perder a primeira esposa em trabalho de parto, segundo ele por aparente intervenção médica distante dos cuidados terapêuticos exigidos, fosse tomar a saúde como um dos pilares de sua passagem pela Presidência do Brasil. Todavia, essa expectativa não se confirmou e a saúde pública permanece enferma, padecendo de todos os males do desleixo e da indiferença em relação ao sofrimento dos que só contam com a mão do Estado na hora da doença.
A população brasileira se encontra insatisfeita com o tamanho do descaso explícito no tocante à administração pública e não é à toa, pois a velha desculpa da falta de recursos não mais cabe, uma vez que os escândalos de corrupção e casos de propina espocam país afora, numa eterna noite de São João, em que acontece a famosa dança das quadrilhas. Calculam os analistas econômicos que a malversação de verbas públicas e contratos superfaturados surrupiam dos cofres nacionais cerca de 200 bilhões de reais/ano.
A triste realidade é que nossas autoridades andam confundindo democracia com total permissividade, onde é proibido proibir e o que se leva em conta é a liberdade individual, ainda que à custa da morte ou aniquilamento de todo e qualquer interesse coletivo. E em ambiente assim esboçado, a violência encontrou o nicho perfeito para a sua eclosão hoje refletida em todos os índices estatísticos e coletas de dados: 45 mil assassinatos e 20 mil mortos nas estradas todos os anos. Ou seja, vivemos uma verdadeira guerra travada sob os símbolos da paz, do carnaval, da religiosidade e da decantada glória da convivência miscigenada.
A completa falta de mobilização da sociedade brasileira, a inércia dos governantes e o generalizado medo paralisante diante de agressores e malfeitores confessos (e impunes), que decretaram a pena de morte para os cordeiros que aceitam a imolação iminente feito gado conduzido ao corte, sentenciam o fim da chamada sociedade ordeira – que pela ordem não luta e se nos apresenta incapaz de salvar os ideais de democracia e liberdade assentados em deveres e não apenas em direitos.
Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista
Da Academia de Letras do Brasil-Mariana (ALB-Mariana)
www.carlosluciogontijo.jor.br

domingo, 31 de janeiro de 2010

Festival de cinema em cidade sem tela

Carlos Lúcio Gontijo



Estamos com o pé na estrada da literatura desde a adolescência. Editamos nosso primeiro livro em 1977, sem patrocínio, sem noite de autógrafos, sem nada – a não ser uma nota fiscal para pagar na gráfica em que mandamos imprimir nosso “Ventre do Mundo”. Naquele tempo, a moda era editar e vender o produto literário de porta em porta e assim procedemos.
Àquela época imaginávamos tratar-se de uma solução forçada pelas condições socioeconômicas e culturais do momento experimentado pelo País, mas observamos que hoje o número de autores independentes só fez aumentar e os chamados incentivos culturais são carreados exatamente para nomes consagrados e iluminados pelos holofotes da grande mídia.
Dessa forma, como a decisão de apoio cultural foi colocada nas mãos do setor empresarial, os autores ainda não muito conhecidos não conseguem atrair a atenção dos detentores de capital, que optam por destinar recursos a produtos culturais que mais facilmente contarão com o aplauso da população, uma vez que, assim, divulgarão com mais intensidade a sua marca comercial ou industrial.
Contudo, não vejo com surpresa a piora do quadro editorial da área literária, onde as editoras costumam apostar muito pouco em novos valores (que pode ser, por exemplo, escritor com 80 anos e um punhado de livros inéditos na gaveta), atuando como simples vendedoras de selo. Ou seja, o autor paga (e caro) para que seu livro leve a logomarca de uma editora de prestígio: são os livros independentes com selo de aluguel, sob a promessa de divulgação, distribuição e até uma segunda edição da obra.
Todo esse quadro é de difícil mudança, uma vez que a realidade contribui enormemente para a sua permanência: o presidente da República se vangloria de não gostar de ler (não é à toa que de vez em quando assina documento sem ler, como recentemente se desculpou, diante de imbróglio relativo a direitos humanos, em que alguns foram tratados como mais humanos que outros); Ratinho, apresentador de tevê, afirmou há tempos que jamais havia lido um livro – mas em seguida apareceu com uma produção gráfica contando a sua trajetória de vida ! Os governantes enchem as escolas de livros didáticos e se esquecem de que eles precisam de ser acompanhados por obras literárias, pois aluno que não desenvolve gosto pela leitura termina por não assimilar os textos que expõem o conteúdo das disciplinas.
Lamentavelmente, quase tudo em relação à política cultural brasileira, se é que ela existe, é meio surrealista e movediço. Prova disso, como bem descreveu em artigo o professor de filosofia Sérgio Farnese, é o fato de Tiradentes, cidade mineira que abriga importante mostra anual de cinema, não possuir sala de exibição de filmes aberta aos seus cidadãos, que recebem uma grande quantidade de amantes da arte cinematográfica em determinado período do ano e sequer sabem o que se passa ao seu redor – uma vez que não têm como adquirir o hábito de ir ao cinema; que por lá é peça de ficção!
E ali mesmo, onde destacados intelectuais, por meio de palestras e oficinas, discutem ou filosofam sobre a importância da indústria do cinema (num país em que muitos municípios não dispõem de sala de exibição cinematográfica, teatro e biblioteca), jovens perambulam pelas ruas e têm acesso nas esquinas à viagem – quase sempre sem volta – proporcionada não pelo trem mágico da mensagem de uma película bem filmada percorrendo-lhes as estações da mente, mas por drogas cada vez mais baratas (como é o caso do crack), mortais e socialmente devastadoras.
Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Continuando com o Manifesto Universal

3 – Ser poeta não significa simplesmente escrever bonitas poesias, a POESIA não é mero objeto de decoração. Temos que VIVÊ-LA e vivê-la não significa somente senti-la, temos que praticá-la. E praticá-la é a missão, a obrigação e a competência de todos os dias para os Poetas do Mundo.




4 – Ser Poeta do Mundo é um desafio maior. Ser Poeta do Mundo é assumir este manifesto por essência; é avocar a defesa da vida, do amor, da diversidade, da liberdade. E ser capaz de bradar: dou minha vida para a VIDA, pois amo minha vida. Por isso dizemos BASTA de estupidez, BASTA de egos; que não contribuem para crescimento coletivo, nem pessoal. Nossa arte nasce a serviço da preservação da humanidade.




Poeta do Mundo,

Una-se a esta batalha pela existência humana!

Pela continuidade da VIDA!



Ariasmanzo [Luis Arias Manzo]

[Secretário-Geral]

Santiago de Chile, dezembro de 2005



Tradução: Marcia Motta

Revisão:Luciano Wallimann Wolff [[Cônsul de Nova Andradina]

Justificativa: Estive em viagem onde o acesso à internet é restrito. Espero que possa, a partir de hoje, continuar nosso trabalho no Blog. Agradeço aos poetas escritores, principalmente ao carlos Lúcio Gontijo, por manter nosso Blog atualizado com belos e pertinentes artigos.

Saúde e Paz para todos,
Bilá Bernardes